Qualquer criatura medianamente inteligente pode compreender, sem maiores dificuldades, que o tráfico de drogas, a despeito de toda a violência que acarreta, desempenha uma função estratégica: a de evitar a exacerbação da luta de classes, provendo recursos às camadas marginalizadas da população, destinados a amenizar a fome e a miséria que se concentram nas comunidades periféricas, desde sempre desassistidas e negligenciadas pelo poder público.
Graças ao mercado clandestino de drogas ilícitas, uma legião incalculável de parias, excluídos e desempregados crônicos consegue, miraculosamente, sobreviver, ainda que em condições precárias; o que representa, obviamente, um desestímulo à veleidade de contestar e combater o sistema perverso, gerador de injustiça social e iniqüidade econômica.
A nova classe revolucionária por excelência é, portanto, o lumpesinato, segmento social que se notabiliza por extrair o seu sustento, sobretudo, do tráfico de entorpecentes, predominantemente a maconha e a cocaína.
Logo, privar a marginália da sua única fonte de renda seria, seguramente, criar condições objetivas para a eclosão da revolta e a subversão da ordem prostituída.
CACTOS INTACTOS

